Para todos que são apaixonados por arte e compreendem a sutileza da alma expressa através delas. Este blog é direcionado aos grandes pensadores e, principalmente, aos grandes observadores das emoções humanas.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
quarta-feira, 1 de junho de 2011
quinta-feira, 10 de março de 2011
Sonhos
"Há quem diga que todas as noites são sonhos. Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isso não tem importância. O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado".
Willian Shakespeare - "Sonhos de Uma Noite de Verão"
Willian Shakespeare - "Sonhos de Uma Noite de Verão"
"Eu me uso como forma de conhecimento.
Minha vida começa pelo meio, aí vai o meio. Depois o princípio aparecerá ou não. [...] No que precedo o acontecimento - é lá que eu vivo. Espero viver sempre às vésperas. E não no dia. O presente só existe quando ele é lembrança e só existe quando vai ser.
Estive à beira de compreender o tempo, eu senti que sim. Mas logo em seguida ao leve vislumbre, tive a espécie de medo de penetrar sem nenhuma lógica na matéria que me pareceu de súbito sagrada:
Não esquecer: hoje é agora. Ressoam os tambores anunciando o sem-começo e o sem-fim. Abrem-se as cortinas. Eu sinto que a realidade é tridimensional. Por quê? Não consigo explicar. O que sinto é no sem-tempo e no sem-espaço. O tempo no futuro já passou. [...] Eu conheço o seguinte: estar plena do nada. Isso é resultado de uma longa e penosa aprendizagem. [...] Nada começou e nada terminará. Inclusive não existe a palavra 'sempre' pois ela se refere a 'tempo' e 'tempo' só existe em nós referindo-se a uma coisa se transformar em outra. (A essa transformação chamamos tempo.) Mas o tempo em si não é. O tempo é o indefinível. Eu me coloco bem depressa no tempo, antes de morrer. A vida é muito rápida, quando se vê se chegou ao fim. E ainda por cima somos obrigados a amar a Deus".
(Apud BORELLI, Olga. Clarice Lispector - Esboço para um possível retrato, pp. 15-8)
Minha vida começa pelo meio, aí vai o meio. Depois o princípio aparecerá ou não. [...] No que precedo o acontecimento - é lá que eu vivo. Espero viver sempre às vésperas. E não no dia. O presente só existe quando ele é lembrança e só existe quando vai ser.
Estive à beira de compreender o tempo, eu senti que sim. Mas logo em seguida ao leve vislumbre, tive a espécie de medo de penetrar sem nenhuma lógica na matéria que me pareceu de súbito sagrada:
Não esquecer: hoje é agora. Ressoam os tambores anunciando o sem-começo e o sem-fim. Abrem-se as cortinas. Eu sinto que a realidade é tridimensional. Por quê? Não consigo explicar. O que sinto é no sem-tempo e no sem-espaço. O tempo no futuro já passou. [...] Eu conheço o seguinte: estar plena do nada. Isso é resultado de uma longa e penosa aprendizagem. [...] Nada começou e nada terminará. Inclusive não existe a palavra 'sempre' pois ela se refere a 'tempo' e 'tempo' só existe em nós referindo-se a uma coisa se transformar em outra. (A essa transformação chamamos tempo.) Mas o tempo em si não é. O tempo é o indefinível. Eu me coloco bem depressa no tempo, antes de morrer. A vida é muito rápida, quando se vê se chegou ao fim. E ainda por cima somos obrigados a amar a Deus".
(Apud BORELLI, Olga. Clarice Lispector - Esboço para um possível retrato, pp. 15-8)
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